Eles são os xodozinhos da garagem

  • Escrito por  Renata Caram
  • Dom, 29 de Julho de 2012 14:26

Empresário de Limeira revela sua paixão por carros antigos.

Somente quem gosta de carros antigos consegue entender a paixão que o empresário de Limeira, Nelson Casemiro Filho tem pela sua coleção. São 11 veículos que fizeram história no passado, mas até hoje arrancam olhares por onde passam. Também não é por menos. Quem não gosta de apreciar uma Isetta 300, ano 1958? E um Bianco, um Dauphine ou um Gordini? Todos esses modelos fazem parte da coleção de Nelsinho.
O primeiro carro antigo ele comprou há dez anos. Mas não foi nessa época que teve início sua admiração. A apreciação vem desde garoto. "Meus parentes tinham o Gordini, por exemplo. E todo colecionador gosta do que viveu no passado. É uma recordação", cita.
A paixão pelos carros antigos fez com que o empresário trocasse até de casa. A residência anterior começou a ficar pequena para acomodar os veículos das décadas de 50, 60 e 70. Na garagem faltava espaço para os xodozinhos. Agora, não. Todos têm um cantinho reservado e recebem cuidados pra lá de especiais. Afinal, eles rodam pelas ruas da cidade. E se preciso for, caem na estrada.
Cada um dos veículos foi garimpado. "Comprei em estado razoável para restauração", fala. Nelsinho cuida de cada detalhe do carro. As peças são compradas pela internet. "Esta ferramenta é um importante elo entre o colecionador e o seu objeto de desejo", comenta. Na internet dá para pesquisar os mínimos detalhes de cada modelo. "Saber a originalidade. Também podemos encontrar os catálogos e os manuais", conta.
E deixar cada veículo da forma original requer tempo. Não dá para ficar pronto em poucas semanas. O trabalho é muito minucioso. "Em média, são necessários uns seis meses do início ao fim", diz. Os carros antigos requerem carinho e cuidados maiores. O resultado da restauração, porém, compensa. Circular com um automóvel de anos atrás pelas ruas da cidade é prazeroso. "É muito gostoso. A gente esparrama alegria para as pessoas. Os olhares são de surpresa e para alguns de entendimento. É o que acontece com quem não conhece o carro. Com o Isetta é assim", aponta.
Não basta deixar os xodozinhos parados na garagem. Eles precisam de zelo rotineiro. A dedicação de Nelsinho pela sua coleção exige tempo. "Pesquiso. Cuido de cada detalhe. Para quem gosta, não existe um valor comercial. Existe, sim, um valor sentimental. Não vendo e não troco os meus carros. Estou satisfeito com eles", revela o empresário.
Ele é casado, pai de três filhos e avô de uma menina. E conta que os filhos apenas gostam dos carros antigos. "Eles apreciam", observa. Mas uma grande aliada ele tem na esposa Rosângela. Ela adora andar com os veículos.

PLACAS
Não dá para falar em valores com quem é apaixonado por carros antigos. O que dá para colocar na conversa são assuntos que envolvam os detalhes e a admiração. "As placas pretas são usadas quando o veículo tem, no mínimo, 80% de sua originalidade", explica. Da coleção de Nelsinho, apenas um Gordini não tem a placa preta. Os demais automóveis têm. Isto demonstra só um pouco a atenção que o empresário tem por seus carros antigos. "É como se fosse um filho. A gente cuida com muito carinho", compara.
Nelsinho é privilegiado não apenas por ter uma coleção com carros impecáveis. Eles brilham à distância. Há outras questões que englobam o privilégio dele. "Basta eu abrir a porta do meu quarto para ver os veículos, os quais transmitem beleza e muito charme." E isto ele pode comprovar nas ruas de Limeira, quando pega um dos modelos da coleção para ir ao trabalho. Fica impossível não virar o pescoço para admirar carros tão bem conservados. O olhar é inevitável.


A paixão dos limeirenses pelos carros antigos

Limeira tem, sim, um Clube de Carros Antigos. Ele foi fundado em abril de 1983, e, portanto, há 29 anos tem sócios apaixonados por veículos do passado. Só da cidade são 72 associados, e de outros municípios 14. Há 11 anos, Alfredo Gabriel Barros - conhecido como Bié - está à frente da presidência. "O clube é uma grande paixão", fala.
Além de presidir, ele tem carros antigos. São três Fusca (um ano 1968, e dois 1969), um Chevette 84 e um Escort 84 com apenas 45 mil quilômetros. "O Chevette é especial. Tem 70 mil quilômetros e pertenceu ao Emanoel Simão de Barros Levy", orgulha-se. E em processo de restauração, Bié tem um Ford Custom, ano 1951.
A paixão pelos automóveis antigos, o homem acredita que herdou da profissão do pai. "Em 1951, ele inaugurou uma retifica na cidade e praticamente nasci dentro dela. Por isso, me dediquei à retificação de motores", conta. E ele não sabe fazer outra coisa. Até tentou. "Trabalhei em banco, em cartório civil e cursei dois anos e meio da faculdade de Direito. Nada proporcionou tanta satisfação quanto a retifica. Sou apegado a carros, caminhões e tratores", revela.
Em 2001, Bié recebeu um convite do empresário Gino Torrezan e passou a presidir o clube. Isto após participar da organização de um encontro de carros antigos. E não parou mais. Todo segundo domingo de cada mês, os limeirenses que têm ou não automóveis antigos se reúnem na Praça Toledo Barros. O local se transforma num palco, onde os automóveis são expostos para admiração de tanta gente. Os encontros acontecem sempre a partir das 9h.
Os veículos têm certificado emitido pela Federação Brasileira de Veículos Antigos. É assim que funciona, por exemplo, o processo para conseguir a placa preta. "Para tê-la é preciso manter, no mínimo, 80% da originalidade do carro", cita. Os pedidos são analisados um a um e os mínimos detalhes são avaliados. "Um carro com 30 anos já pode ser considerado antigo", explica.

PAIXÃO
Dentre a lista de sócios nem todos têm carros. "Uns são associados por pura paixão", comenta. Há, porém, aqueles que mantêm uma coleção imensa. Um sócio tem nada mais nada menos que cerca de 100 veículos antigos. É praticamente um museu do automóvel. O carro mais antigo registrado no clube de Limeira é de 1926. "Os motores são resistentes. Os carros têm condições de pegar a estrada", fala. Um Ford 1929, por exemplo, teve seu motor retificado em 1950 e continua rodando até hoje.
A maioria dos associados é formada por homens. Mas há mulheres que, muitas vezes, influenciadas pelos maridos também possuem carros antigos. E falando em família, há limeirenses que têm na garagem automóveis que pertenceram ao avô deles. É o caso de um Ford 1929. "Acaba passando de geração em geração", observa Bié.
Ele acredita que o que motiva a busca incessante por carros antigos é a paixão. "É um hobby também." Quem tem um veículo de décadas passadas na garagem não para. Garimpa muito. E ainda sonha com outras aquisições. Bié, por exemplo, sonha com uma perua Chevrolet 1956, 4 portas. Esta é uma ausência que sente no barracão em que ele guarda os seus carros. "Todo mundo tem um sonho, e este é o meu", finaliza.

fonte:http:jornaldelimeira.com.br

 

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